Casa do Conde de Trancoso William C. Beresford
(foto tirada da Internet)
Depois de uma patroa lhe deixar em herança uma casa e uma certa quantia no banco, alugam um pequeno espaço para a desejada loja de ferragens (que ainda hoje se encontra em funcionamento). O local escolhido não poderia ser melhor. É o rés-do-chão da casa do Conde de Trancoso. A moradia data do século XIV e tem um alpendre sustentado por 3 colunas. Durante a guerra peninsular contra as tropas napoleónicas, foi o quartel-general de William Carr Beresford, conde de Trancoso e Comandante-chefe das tropas anglo-saxónicas. Em 2001, surge uma grande oportunidade para o casal. O proprietário avisa os locatários da sua decisão: a casa está à venda. Todos os inquilinos fazem ofertas e a resolução é feita em tribunal. Maria da Conceição sai vitoriosa, e junto com o marido, fazem as obras e remodelações necessárias.
Sardinhas Doces, jóia gastronómica de Trancoso
(imagem tirada da Internet)
O espírito empreendedor da beirã permanece, fazendo-a descobrir na pastelaria tradicional uma fonte de rendimentos. “Tinha uma vizinha que era cozinheira em várias casas particulares. Ela ensinou-me muitos doces, e especificamente as Sardinhas Doces, o doce mais conhecido da cidade. Eu era curiosa e ganhei-lhe o jeito rapidamente”, refere, e confidencia-nos que “hoje em dia, em cerca de 1 hora, faz 3 dúzias”. Maria da Conceição segue a receita tradicional: massa estaladiça, coberta de chocolate e açúcar, e recheio de doce de ovos, canela e amêndoa. E sabem a origem desta iguaria? O doce era confeccionado por 4 freiras do Convento de Santa Clara, no intuito de sobreviverem.
No entanto, além das sardinhas sem escamas nem espinhas, Maria da Conceição é uma pasteleira de mão cheia, pois também faz as tradicionais bolas de folhas e bolas de chocolate, entre outros doces. Seguidores? Infelizmente não tem. As irmãs têm uma vida preenchida: uma no Carvalhal e outra em Lisboa. A mocidade trabalha os empregos de Verão e o resto perdeu o interesse ou aprende nas pastelarias por lá espalhadas. “É pena porque eu já recebi aqui alunas de várias escolas profissionais da região. Mostrei-lhes ao vivo a confecção e gostei muito de as ensinar”.
Porém, maior mágoa ainda é a de não ter tido filhos. Contudo, considera-se uma mulher afortunada por ter dois afilhados e muitos sobrinhos, e claro, um marido “fabuloso e amigo”.







