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quarta-feira, 31 de março de 2010

O ESPÍRITO BEIRÃO VENCE QUALQUER BARREIRA (Parte 2)



(A Cegonha Joana de Figueira de Castelo Rodrigo. Foto cedida por Maria Manuela Cardoso)

Afectou a sua vida?
Claro e nem sabe o quanto! Trabalhava no comércio, mais propriamente numa loja estilo Boutique e numa livraria, mas tive de desistir porque os meus pés e as minhas pernas inchavam muito. Limita-me um pouco a vida porque além do incómodo, não posso calçar-me como gostaria. E principalmente no Verão, sofro um pouco com o peso e com o calor, incha muito mais. (aponta para as pernas e os pés)
Quando engravidei do meu 1º filho, o médico aconselhou-me a deixar de trabalhar porque eu nunca iria aguentar a gravidez sem repouso nos membros inferiores. Assim fiz e nunca mais trabalhei. Em casa, tenho sempre que fazer. Não me arrependo porque ter optado por cuidar dos filhos, do marido e tudo… (olhar decidido)

Pois é, a Manuela casou cedo, não foi?
É verdade, casei aos 20, com um rapaz de 26 anos. O mais engraçado é que já o conhecia desde os 7 anos de idade, pois éramos vizinhos, também ele lisboeta e de Benfica. Temos 2 filhos que são o nosso amor maior, um rapaz de 18 anos e uma menina de 10. Hoje diria a todas as mulheres que sejam apenas mulheres e que nunca deixem de amar os seus filhos porque eles são a principal causa de tudo. Entristece-me observar que nos dias de hoje a família está muito vandalizada. Era o papel principal na vida de todos nós. Daí nunca se devia abandonar a família por coisas banais e fúteis.(ar sério) Veja o caso recente do casal coreano que deixou morrer à fome a filha para jogarem na net, onde está o dever familiar? Gosto muito da Internet, mas não largo tudo, sobretudo a minha família para tal.

(Imagem retirada da Internet)

Fale-nos então das suas duas paixões: a Internet e Figueira de Castelo Rodrigo!
A Internet veio a dar-me o que na adolescência não aproveitei: aprender coisas interessantes, cultivar a imaginação, ver e editar fotos e imagens (amo a fotografia e imagens de todo o estilo), ouvir música, falar e interagir com pessoas, escrever, enfim um universo infinito de coisas que aprecio. Instantaneamente, sem dar por isso, comecei a usar a net não só como passatempo, mas como ferramenta de trabalho. Faço Vídeos, apresentações, imagens; decoro blogs porque gosto de ver os resultados. Acho que até nem me saio nada mal! O chato é que isso tira-me muito tempo aos assuntos caseiros, ficando muitas vezes a loiça por lavar...ups…eheh. (riso traquina)

Sobre Figueira de Castelo Rodrigo, era capaz de estar horas a falar (suspiro). A grande parte da minha infância foi vivida lá. Ainda visito sempre que posso. Vamos todos! É a terra natal da minha mãe e tenho ainda muita família por lá. Eu amo aquela terra, o cheiro, a cor, o ar e os caminhos. (olhar de criança deslumbrada) Adoro tudo! Se pudesse trocava Lisboa por Figueira, mas a vida não permite. (mais suspiros)

Mas voltando à Internet, sei que tem uma história relativamente engraçada…
(Gargalhada) Tenho uma, no Facebook, duas irmãs brasileiras achavam que eu era a irmã delas que está em Portugal, pois nós temos o mesmo nome. Mandavam-me mensagens a perguntar-me coisas e eu dizia que não era a pessoa que elas pensavam, que não era a mana Manuela. No entanto, elas insistiam e diziam que até a cara era igualzinha, o sorriso e tudo, só o cabelo era diferente. Querem ver que a mana brasileira tinha pintado e arranjado o cabelo só para se meter com elas?! (Risada sonora). Mas, vá-se lá a ver: devo ter uma sócia brasileira que se chama Manuela Cardoso.

quarta-feira, 24 de março de 2010

O ESPÍRITO BEIRÃO VENCE QUALQUER BARREIRA (Parte 1)

(Manuela Cardoso numa viagem à Santiago de Compostela. Foto cedida pela própria)

É lisboeta, mas tem alma beirã. Sempre que viaja até Figueira de Castelo Rodrigo deixa lá ficar um pedaço do seu coração. Regressa à capital, sentindo já imensas saudades da vila da Beira Interior que deixou ficar para trás. São as raízes maternas a falar mais alto. Por isso, promete sempre voltar. Nem a doença hereditária de que padece a demove. Esta menina de 44 anos ama dessa forma incondicional tudo o que cria, faz e gere, seja seus filhos, seu marido, sua casa, seus passatempos ou seus cantinhos portugueses.
O seu nome é Maria Manuela Cardoso.

Conte-nos como foi nascer e crescer em Lisboa…
Nasci na Maternidade Alfredo da Costa, no dia 11 de Setembro de 1965. Minha infância foi passada em Benfica, com algumas dificuldades. Os meus pais não eram ricos, eram pessoas de trabalho e com alguns contratempos na vida, mas sempre me deram amor e as coisas mais necessárias. A adolescência foi uma fase complicada, como deve ser para todos, estudei até o 9º ano, deixando a escola por vários motivos, mas hoje tenho pena de não ter continuado, a cabeça de um adolescente é um turbilhão e não dá mais nada senão tempestades. (careta e abana a cabeça)

Suponho que adolescente ficou mais baralhada ainda ao descobrir que sofria de uma doença hereditária?
Penso que sim. Tenho Linfoedema desde que nasci, mas só descobri aos 14 anos. Esta doença caracteriza-se por um ou mais inchaços em algum órgão do corpo, mais propriamente no braço ou da perna, e decorre da perturbação ou obstrução da circulação linfática. O fluido linfático acumula-se no tecido intersticial, o que causa edema, quando os vasos linfáticos estão prejudicados. No meu caso, em vez de conseguir deitar fora os líquidos, eles aglomeram-se nas partes inferiores do corpo. Já cheguei a ter também as mãos e pulsos inchados e dói. Infelizmente é hereditária e já soube que o meu filho tem. A minha menina, ainda não sabemos. (ar preocupado)

(Linfedema primário -  Esta imagem foi retirada da Internet e é apenas ilustrativa, não se tratando dos pés da nossa entrevistada)

A Manuela trata e vigia o seu linfedema. Contudo, o que podia acontecer se não fosse tratado atempadamente?
Quando não é tratado, torna-se uma doença crónica na qual os sintomas se agravam consideravelmente como a sensação de peso e de desconforto, a perda de mobilidade, as deformações estéticas. Em casos extremos, surgem situações malignas. Há dois tipos de lifoedema: Primário e Secundário. O Primário, no qual me incluo, ocorre no nascimento, na adolescência ou na idade adulta e é devido a uma deficiência do sistema linfático. O Secundário pode resultar de uma cirurgia, como é o caso do cancro da mama, da remoção de gânglios axilares, dos tratamentos à base de radiações, isto é, em todos os casos onde haja interrupção do sistema linfático. Neste último, pode desenvolver-se logo após a cirurgia, semanas, meses ou até anos mais tarde.

Sabe dizer-nos qual é o tratamento adequado a estas situações?
A Drenagem Linfática Manual é eficaz porque não só ajuda a reduzir o fluido linfático, como também encontra percursos colaterais que ajudam a drenar e a reduzir o edema. As outras técnicas de massagem não permitem isso e até devem ser evitadas por se correr o risco de fechar temporariamente os vasos linfáticos na área afectada. Enfim, é inestético e extremamente desconfortável, mas é uma doença não tem cura.

Na próxima quarta-feira, veremos as repercussões da doença na vida de Manuela e como ela lhe deu a volta ;)