quarta-feira, 21 de outubro de 2009

PARTINDO DO ZERO (Parte 1)





Num belo dia de Agosto de 1949, em Penela da Beira, freguesia do concelho de Penedono, nasce uma linda menina. Dão-lhe o nome de Maria Isabel. Criança, vive uma infância normal com os restantes 2 irmãos mais velhos e a irmã mais nova. Na aldeia, brincam com os primos e vizinhos em liberdade e união total com o campo. Isabel estuda até à 4ª classe. Passado um ano, com a chegada da obrigatoriedade da 6ª classe, ela volta à escola para completar a escolaridade. “Não estudei mais porque os meus pais eram agricultores e com 4 filhos, não tínhamos possibilidades para tal. Um dos meus irmãos até teve pena porque ganhou um prémio na escola”, comenta. Aos 12 anos, fica então em casa a tratar das lides domésticas, do almoço e da irmã de 3 anos. “Descascava as batatas e fazia o comer no lume nas antigas panelas de ferro. À tarde, ia com a minha mãe regar e sachar. Chegávamos às vezes às 22horas a casa”, recorda. Os pais também tinham bois, porcos, burros e galinhas. A importância dos animais era grande. Todos os Invernos, o pai de Isabel comprava uma “parelha de bezerros novinhos” para criar e nos Verões, “amansava-os”.
Nesse mesmo ano, começa a ir para as Vindimas do Douro e a apanha da azeitona. Pouco tempo depois, toma conhecimento de uma família abastada, em casa de quem começa a “servir”. “Foi lá que aprendi tudo o que sou hoje: as tarefas correctas de casa, de cozinha e de costura”, revela. No entanto, esse novo trabalho coincide com a altura em que começa a gostar de dançar nos bailes. “A minha mãe começou a implicar comigo por causa disso. Como castigo, tirou-me da casa onde trabalhava, porque sabia que eu adorava lá estar”. A partir daí, os atritos com a progenitora disparam. A mãe obriga-a a ir aprender costura e trabalhar para uma modista da terra. No Inverno, continua nas Vindimas e nas apanhas…
Até que em meados de Janeiro, enquanto apanhava a azeitona na Quinta de Santa Cruz, perto de Casais do Douro (Pinhão) conhece o marido. Era filho da caseira da quinta. “Quando o vi, lembrei-me que no baile da passagem de Ano, tinha dançado com ele a noite inteira. Era um óptimo dançarino. Mas não sabia o nome dele, nem nada. O mais engraçado é que morava a 3kms de mim, em Póvoa de Penela”, rememora com um sorriso maroto. Inicia-se o namoro e as zangas com a mãe voltam. “A «ranchada», denominação dado ao grupo de pessoas que iam trabalhar para a apanha, foi contar o meu namoro à minha mãe. Ela já andava furiosa por eu sair muito e andar nos bailaricos. Nesses dias, bateu-me tanto”, fala com ar triste. A mãe também tinha em vista outro rapaz para a filha, daí não concordar com a sua escolha. Sendo muito frontal e directa, Isabel já tinha feito questão de dizer ao rapaz elegido pela mãe que não o queria. “E também respondi à minha mãe: Se você gosta dele, case com ele. E claro, levei outra carga de porrada”, exclama com uma careta. Porém, cheia de carácter, conquista dois objectivos: o aval da família e o casamento. “Nesses tempos, se uma moça não casasse com o rapaz com quem tinha perdido a virgindade, era posta de lado e mal vista. Por isso, com 16 anos, consegui casar com o meu Horácio”, exclama cheia de orgulho, nessa união que já conta com 34 anos.


(Imagem retirada da Internet)

Jovens encetam uma vida do nada. Nos primeiros dois meses de vida em comum, ficam a morar em casa dos pais de Isabel. O marido ajuda no trabalho agrícola junto dos sogros e ela no trabalho caseiro. Contudo, a convivência não é pacífica e as desavenças entre mãe e filha permanecem. Consequência: optam por alugar uma casa. “Como nos faltava tudo, arrendamos uma casa velha onde se viam os ratos com as caudas penduradas. Durante alguns anos, arranjamos o indispensável, mas foi duro e refilávamos um com o outro. Depois ele foi trabalhar como jornaleiro para o campo. Eu engravidei e fiquei em casa”, relata. Até que o cônjuge, muito desenrascado, equaciona a hipótese de emigrar sozinho em busca de uma vida melhor para a mulher e o filho…

Veremos o que aconteceu na próxima 4ª feira.

11 comentários:

susanita disse...

D. Isabel, a senhora mostra a força interior que uma MULHER BEIRA possui!
Fez aquilo que achou que era o melhor para si!
Passou por momentos dificeis, mas no final tudo correu bem!
Vê-se que é uma MULHER de ideias definidas! Perabéns pela sua história de vida!!!
Beijos

Helena Teixeira disse...

É verdade,é uma mulher admirável.Prezo muito a sua amizade.E com ela,podemos ter a certeza que nos dirá sempre o que pensa verdadeira e sinceramente.

Jocas gordas
Lena

Pitanga Doce disse...

Susanita e Isabel só passei a correr porque ainda não organizei minha vida. O chope fica para o ano que vem.
mandei mail a Susana.

Zé do Cão disse...

Pois é mesmo assim. Mulher beirã, leva pelos costados abaixo, refila e põe tudo em pratos limpos.
E a mãe, que se calhar até já tinha falado com o cura da aldeia, é obrigada a recolher toda a sua imaginação, se não quer perder a filha e consequente algum rebento que estaria para chegar.
No final, com mais ou menos sopapos, tudo acabou em bem e a progenitora, não teve coragem de dizer, mas já estava arrependida de ter malhado de mais.
Uma Beijoca mulhee beirã

amitaf disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Helena Teixeira disse...

Cara Fátima,
fiquei muito impressionada e emocionada com a sua história.Quando quiser,pode escrever um texto e partilhar a sua grande História de Vida connosco,com ou sem fotos para aminhaldeia@sapo.pt
Na próxima quarta-feira,sairá uma entrevista com uma jovem beirã que passou pelo cancro da mama com tratamentos e mais...e nova!
Não perca,vai dar-lhe mais ânimo e força concerteza.Da parte do Clube das Mulheres Beirãs,desejamos-lhe muita força,coragem,esperança e Fé.

Jocas enormes
Lena

amitaf disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Helena Teixeira disse...

Querida Fátima,
aqui estará sempre à vontade para escrever,desabafar,chorar,rir, o que quiser :)
não há qualquer problema de se alongar ou nao.Gosto de ouvir as histórias de vida,todas unidas e todas diferentes.
Quando quiser,aguardo o seu mail.
Um beijo grande para si e para a sua família (filhas e marido)
Na minha família,costumamos dizer que somos nós os 3 + gata e cadela: meu pai,minha mãe e eu + as duas 4 patas que são minhas.Temos família,mas nem sempre merecem ser vista como tal,por isso a família que se ama e se apoia incondicionalmente somos nós os 3 (porque por motivos do destino sou filha única).

Bom fim-de-semana.

Anónimo disse...

Olá Beirãs.

Já li a entrevista da Anabela Ferreira.

Foi simplesmente fascinante o testemunho que ela nos deixou,sendo tão nova,e já com esse monstro chamado "carcinoma".
Tambem mostrou que vale a pena lutar,isso fortalece-nos,e tudo mais que vier aqui estamos prontas para lhe dar combate.

Boa sorte Anabela,para si e todas as que passam por isto.
Estive uns dias sem internet,mas já volto ao vosso convivio.

E já agora uma saudação muito especial á Leninha,já vi que deve ter um coração do tamanho do mundo.
Agora já é tarde,mas amanhã vou tentar arranjar um tempinho para lhe mandar e-mail directo,pode ser?

Saudações para todas.
Beij Fátima

amitaf disse...

Olá amiguinhas.


Espero que andem tão entusiasmadas como eu.

Gosto muito do Natal,e já comecei a dar uma "vistinha de olhos"pelas montras á procura de novidades para ofertas de Natal.

Mesmo que o dinheiro não seja muito,(e por enquanto)como não se paga nada por sonhar,sempre animamos um pouquinho,e dá-nos ideias para "confeccionar" algumas prendinhas.

"Virei-me" para o trapilho,e olhem que se fazem coisas lindíssimas.

Beijinhos a todas e bom fim de semana.
Fátima

jose disse...

vcs não se aperceberam que a historia da isabel carralas está mal contada só kem a conhece pode confirmar eu foi vizinho dela e a maior parte da historia é mentira embora tenha partes ke são, verdades a tia prazeres e o tio mario carralas não eram assim tão mauis como ela os faz ela devia ter vergonha contar isso dos pais que é uma autentica calunia para vcs verem kem fala dos pais fala dos mais e é tudo espero ek não acreditem nessa falsa historia