Maria de Fátima (nome fictício), nasceu na pequena aldeia de Sequeiros, concelho da Mêda. “Era uma casinha velha no fundo do povo. A minha irmã e eu andávamos no campo e nas terras, em liberdade”. Maria é a mais velha de quatro crianças: uma irmã nascida em Portugal, e mais dois: uma rapariga e um rapaz nascidos em França. O pai era jardineiro e a mãe empregada doméstica.
Mapa concelho de Mêda,(freguesia do Poço do Canto-Sequeiros)Imagem retirada da internet
Após emigrar um ano para esse país, o pai veio buscar o resto da família e a partir daí começou uma infância algo atribulada. “Tinha 3 anos, fizemos a viagem de comboio. Fiquei muito admirada com o comboio, porque nunca tinha visto nenhum, e com as paisagens” exclama Maria. Na altura, eram muitos os portugueses a cruzarem montes e vales para passarem a fronteira espanhola, a fim de não serem apanhados sem papéis… e correrem o risco de serem mandados de volta à Portugal. “Houve um momento em que a minha mãe ficou aflita porque um guarda espanhol estava a brincar comigo e ela teve medo que eu falasse português e ele nos mandasse para trás”.
Após emigrar um ano para esse país, o pai veio buscar o resto da família e a partir daí começou uma infância algo atribulada. “Tinha 3 anos, fizemos a viagem de comboio. Fiquei muito admirada com o comboio, porque nunca tinha visto nenhum, e com as paisagens” exclama Maria. Na altura, eram muitos os portugueses a cruzarem montes e vales para passarem a fronteira espanhola, a fim de não serem apanhados sem papéis… e correrem o risco de serem mandados de volta à Portugal. “Houve um momento em que a minha mãe ficou aflita porque um guarda espanhol estava a brincar comigo e ela teve medo que eu falasse português e ele nos mandasse para trás”.
Região do Rhône-Alpes onde está localizada a vila de PinayImagem retirada da Internet
Em território gaulês, estiveram na localidade de Pinay, no princípio numa caravana e depois numa casa com jardim. Maria sorri, “foi a primeira vez que fui ao jardim-de-infância. A escola juntamente com a câmara davam prendas no Natal e assim tive minha primeira boneca”. Ao fim de 6 meses, vão para Monsegne onde vê neve. Ao mesmo tempo que se habitua a nova morada, aprende a cuidar da recém-chegada irmã. “Aos 7 anos, não foi fácil. Nós mudávamos muitas vezes de casa por causa do preço e da duração dos alugueres, do espaço e também por motivos profissionais do meu pai. Entretanto, ajudava em casa e mudava as fraldas à minha irmã ”, relata.
Dois anos depois, os tios tentam convencer os pais a mandarem as meninas para Portugal. Maria concorda contra a vontade, mas impõe uma condição. “Nós não entendíamos porque devíamos ir. Eu só falei para a minha mãe que só aceitava ir se a minha irmã, mais nova do que eu um ano, fosse comigo”. E conseguem, só a mais nova fica junto dos progenitores. E assim foi, as duas seguem viagem e a bebé fica junto dos progenitores. A chegada à Mêda foi um grande choque para ambas. “Fomos entregues a um senhor que não conhecíamos, levou-nos para uma casa que nos era estranha, com pessoas familiares dele, que também desconhecíamos. Isso foi assustador porque durante seis meses pensámos que tínhamos sido abandonadas”, conta muito emocionada e prossegue “ só quando recebemos prendas dos nossos pais, chocolates, bombons, roupa e botas de Inverno é que percebemos que estávamos lá para estudar e não esquecidas”.
LongroivaImagem retirada da Internet
Durante 4 anos, em que os pais as visitavam nas férias, dividiram a morada entre duas aldeias Longroiva e Sequeiros e a cidade da Guarda. As recordações de Longroiva são as mais marcantes. “As pessoas eram muito boas. Os jovens vinham brincar connosco e havia lá uma menina, nossa amiga, na mesma situação com os pais emigrados”. Contudo nem tudo eram rosas, naquela época, faltava electricidade, água e não havia televisão. Este contexto gerou uma enorme paixão pela vida no campo. “Convivíamos com as ovelhas, plantávamos tomates num carreirinho. Ainda sinto o cheiro dos tomateiros. Apanhávamos grilos, dávamos-lhes alface e uma casinha. Fazíamos a vindima, ajudávamos nas melancias, via a minha tia a fazer requeijão. Ah! E adorava comer marmelos ácidos!” exclama, rindo. Outra lembrança é a ida à missa todos os domingos, mas uma em particular. “Um soldado tinha falecido e para o funeral dele juntaram todos os alunos da escola com raminhos de mimosa”.
No entanto, acabam por regressar para Pinay (França) junto dos pais. A integração na escola francesa foi a fase mais difícil para uma menina de apenas13 anos. Em Portugal, tinha conquistado a quarta classe e a irmã, com mais custo, a segunda. Em França, obrigaram-na a começar do início. “Eu tinha perdido a noção da língua, mas recuperei tudo aos poucos. Mesmo assim, puseram-me no primeiro ano. Por isso, fiquei muito triste e desanimada ao ser a mais velha no meio de crianças de 6/7 anos. O pior era nas piscinas onde me sentia diferente junto dos pequeninos. Mas depois no mesmo ano, passei duas classes consecutivas”, narra com orgulho.
No entanto, acabam por regressar para Pinay (França) junto dos pais. A integração na escola francesa foi a fase mais difícil para uma menina de apenas13 anos. Em Portugal, tinha conquistado a quarta classe e a irmã, com mais custo, a segunda. Em França, obrigaram-na a começar do início. “Eu tinha perdido a noção da língua, mas recuperei tudo aos poucos. Mesmo assim, puseram-me no primeiro ano. Por isso, fiquei muito triste e desanimada ao ser a mais velha no meio de crianças de 6/7 anos. O pior era nas piscinas onde me sentia diferente junto dos pequeninos. Mas depois no mesmo ano, passei duas classes consecutivas”, narra com orgulho.
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Não perca na próxima Quarta-feira, a 2ª parte do testemunho de vida da Maria de Fátima que ainda tem muitas reviravoltas!
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