quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A DOCEIRA DE TRANCOSO

                                                        Maria da Conceição Pinheiro
                                                                               Foto Olho de Turista


Maria da Conceição Pinheiro é uma das mais conhecidas doceiras da região. Nascida há 71 anos atrás  na aldeia de Chãos – freguesia de Casteição, concelho da Mêda, passa a meninice numa quinta, longe de tudo e com dificuldades. “Sozinhas, fazíamos 30 a 45 minutos para ir a escola. Um dia de muito frio e muita geada, decidi voltar para casa e não ir para a escola; os meus pés doíam-me de tão gelados”, recorda. As dificuldades persistem, obrigando os pais de Maria a mandarem as filhas trabalhar, mal saíssem da escola. “Fiz os 3-4 anos de escola que os pobres podiam fazer e aos 13 anos comecei a trabalhar”.


Torre de Terrenho
(imagem tirada da Internet)

Desse modo, desloca-se até a Torre de Terrenho (concelho de Trancoso) onde é criada e ama numa casa particular. “Servia e tomava conta de crianças, mesmo sendo eu própria ainda uma menina”, expressa com um sorriso tímido. Uns anos depois, parte para Aveiro onde fica 4 anos na mesma função. Apesar de adorar a estadia em Aveiro, volta para Trancoso por intermédio de uma padeira. “A senhora cozia o pão na aldeia e vendia-o em Trancoso. Ela falou-me que três senhoras, uma tia com duas sobrinhas solteiras, precisavam de uma empregada. E lá fiquei durante 17 anos, seguindo-se depois 19 anos com uns sobrinhos”, relata. A adaptação foi complicada e progressiva, mas hoje, sente-se completamente integrada e “está na sua terra”.

Aos 39 anos, a vida dá-lhe um presente: o marido Francisco Pinheiro. Natural de Trancoso e com 35 anos, volta de África para se unir a ela. “A minha patroa não queria por nada que eu casasse. E eu não insistia porque não tinha aparecido o «tal»”. Coincidência ou não, o marido aparece no momento certo, após a morte da patroa. O trancosense revela-se o melhor dos esposos. “Trata-me como se eu fosse uma Princesa. É muito bom para mim”, exclama com ternura. E prossegue, “eu também sempre fiz tudo para tal porque sou cumpridora e obediente em tudo. Damo-nos as mil maravilhas. Por exemplo, em questões financeiras, cada um gere o seu dinheiro, seja para pagarmos as contas ou viajarmos”. A cumplicidade é tanta que decidem abrir um negócio.

Na próxima semana, iremos saber mais sobre essa mulher beirã , especialmente os doces que ela faz..que são de chorar por mais...
Fiquem atentos... e deliciem-se.

21 comentários:

Cusca Endiabrada disse...

Como ando sempre a cuscar, ganhei de novo a camisola amarela!

Mas que fixe! Mais logo cou querewr saber tudinho sobre esta MULHER beirã e seus dotes culinárioa.

Por agora só só vinha mesmo cuscar e não quis sair sem deixar PARABÉNS a todas as mulheres, beirãs ou não, do nosso país. (hummm num se tá logo a ver que eu não sou? eheheh)

Pitanga Doce disse...

Era comum em tempos idos e difíceis que as meninas fossem trabalhar muito cedo em casas de familia. Naquela altura, em algumas familias, só os filhos homens aprendiam a ler, contava minha avó, que foi de Ule, em Oliveira de Azemeis, trabalhar com dez anos de idade em Gaia. Quase a idade da Julinha, hoje.

Posso imaginar a gostosura dos doces desta senhora. Um dia, quem sabe, ainda os experimento?

boa noite Susana

Susana disse...

Olá cusquinha!

Aguarda para a próxima semana, pois essa doceira vai revelar quais os doces que ela faz...que dão~´agua na boca!

Agora fiquei confusa...és da beira ou não? de qualquer maneira, parabéns por seres a primeira belíssima e jovem mulher a comentar este post. Já merecias um docinho, linda.

Bjs e seja bem vindaao clube!

Susana

Susana disse...

Pitanga: Podes crer! Já houve momentos muito difíceis..hoje seria impensável colocar uma miúda a servir de ama e criada numa casa...sem ter a escola toda...

Obrigada pelo teu testemunho. Bjs Susana

Laura disse...

Era assim antigamente, era pois, lembro-me de que havia ninas que iam sem a escola feita,servir em casa de pessoas estranhas e nem sempre eram bem tratadas, a vida não foi fácil para elas...

Ah, a ver uma receitinha de coisinahs boas, embora eu agora nem abuse...beijinhos às duas..laura.

Pascoalita disse...

Uma vida de trabalho, a da Maria da Conceição, para não fugir à regra e como qualquer beirã que se preze!

Parabéns, Susana, por partilhares connosco mais uma história de vida rica e dando a conhecer a garra e fibra de que é feita a nossa gente.

Que Maria da Conceição continue por muitos anos, junto do seu estimado "Pinheiro" a fazer aquilo que tanto gosta, entre elas os apreciados doces.

Um beijo grande às duas
E fico a aguardar o resto

Helena Teixeira disse...

Ola Cusca!Prazer!Descomfio que é um linda Alfacinha,acertei?
Ola Pitanga!É bem verdade,outros tempos mto duros.Minha mae também foi cedo trabalhar.
Experimentem.Os famosos doces de Trancoso são divinais.
Jocas,Lena

Vieira Calado disse...

Vamos aos doces

que eu sou guloso...


Cumprimentos

Susana disse...

Olá Pascoalita!

Podes crer que essa senhora te uma grande força e determinação para continuar, por muitos anos fazer o que tanto gosta, doces. Nem imaginas o orgulho que ela teve em mostrar o seu album , com fotografias de trabalhos que foi fazendo ao longo dos últimos anos. Algunsdos quais que fiquei , não só com água na boca, mas também epantada. com tanto bom gosto e criatividade.

E na segunda parte contaremos mais sobre essa senhora.

Bom fim de semana ( eu estou por Vieira de Leiria , a festejar os anos do meu filhote mais novo...)

Bjs Susana

Susana disse...

Laura: Podes crer que a vida dessas menina não terá sido fácil, separadas precoeceente da família para trabalharem para fora...concerteza exploradas no trabalho... que tempos tristes esses.

Obrigada ela sua presença aqui!
Bjs Susana

Susana disse...

Olá Helena: Espero que as tuas férias estejam a correr bem. Aproveita , pois em Setembro, vamos precisar de muita energia para começar com muita força e vontade para começar !

Boas férias!

Bjs Susana

Susana disse...

Vieira :

Pos então prepara-te, que na próxima semana que está prestes a chegar...vais ter água na boca,só de pensar em doces...

Abraços Susana

Helena Teixeira disse...

Ola,Susana!Parabéns ao pequeno Júlio!E que conte muitos anos com saúde e o sorriso + alegre e extenso que já vi.Anima sempre toda a gente :)
Boas férias tb e estadia em Vieira de Leiria!
Ah,e terei ideias para sugerir :)
Jocas

Lena

Emília Pinto e Hermínia Lopes disse...

Oi Susana
Historias que nos prendem ao ecrã, são como contas dum rosário... sagradas.
Tempos idos,que não deixam saudades a quem regelou naqueles invernos rigorosos.Uma criança, sem ter passado o seu tempo de criança, quantas iguais por este País ,bem, mas agora está a receber doces beijinhos que a aquecem, e nós esperamos pelas belas receitas...que nos vai deixar
Até breve
Herminia

Blog da Mulher Necessária disse...

Meninas, adorei seu blog.
obrigada tb pelo carinho, Helena!
estive em Portugal, em maio, pela primeira vez...voltei apaixonada por tudo que vi e senti...pelo seu povo, gente da melhor qualidade...
vou de novo, no ano que vem...me aguardem!!
bjs
Cida Torneros

Helena Teixeira disse...

Ola Cida!
Obrigada pelas palavras queridas :)
Para o ano,quando vier a Portugal,se quiser guias ou dicas de lugares,cidades, restaurantes etc.,estaremos aqui à sua disposição.Disponha.Cá a aguardamos :)
Bjocas,
Lena

Paula disse...

Que bacana ler a história dessa simpática senhorinha...amo doces!
Bjos,
Paulinha

KOTTA disse...

Olá ao dar uma voltinha descobri este blog lindo não sou beirã mas gostava de dar os parabéns a essa SENHORA também minha mãe deixou a escola para trabalhar. Tempos difíceis. Agora espero os docinhos. Bjo

Susana disse...

Paula: Se gostas de doces, então de certeza que ainda não provaste as sardinhas doces, uma especialidade da maria. No post de 12 de Agosto, saberemos mais sobre ela.
Bjs e obrigada pela tua presença aqui no clube!

lucinda disse...

Também gostaria de publicar outras histórias de vida de mulheres beirãs, o que devo fazer?
Lucinda

Susana disse...

Olá Lucinda:

Seja bem vinda ao clube! Será uma honra ter aqui participações e testemunhos de outras mulheres beirãs, e agradeço desde já a sua iniciativa. Para converesarmos melhor sobre esse assunto, agradecia que enviasse um e-mail para : aminhaldeia@sapo.pt;
ou: geral@susitour.com.

Ficarei à sua espera.
Abraço Susana