quarta-feira, 11 de novembro de 2009

E CONSEGUI VIRÁ-LA. (2ª parte)

Segundo Anabela, a parte mais dura física e psicologicamente não aconteceu só na fase do conhecimento da doença, mas sobretudo após a mastectomia (remoção completa da mama). “Para uma jovem, ver-se sem um peito é uma mutilação muito grande. Só dá valor quem passa por isso. Digo muito que a nossa vida é como um livro. Rasguei uma página ao meio e consegui virá-la”, sublinha. A jovem de 34 anos apenas encarou uma vez a “ausência” de peito. Logo a seguir a operação, pediu à enfermeira se podia observar o seu estado. “Aguentei e vi. A partir dali, usei sempre o sutiã de prótese como forma de não pensar mais nisso. Só tirava no banho. Se me levantasse sem, era um dia desanimada e devastada porque voltava a realidade de não ter ali o meu peito”, explica. Quanto ao marido, Anabela preferiu não mostrar porque queria que “ele guardasse a imagem dela antes e não de coitadinha”.
Sete meses de espera e chega o momento aguardado: a reconstrução. Feita em 4 fases com intervalos de 2 meses: põe-se um expansor com soro fisiológico, retira-se para por silicone, reconstrução do mamilo e por fim da auréola. “Não vou esquecer esse dia. Fiquei radiante, sentindo-me mulher de novo. O médico até brincou comigo: «Vai ficar com um problema no pescoço porque só olha para baixo», exclama rindo com um sorriso juvenil. Para Anabela, a operação foi feita numa instituição particular, daí ter sido ainda mais dispendiosa. No entanto, não trocaria essa decisão por nada. “Não esperei pelo sistema público de saúde. Podia ter sido tarde demais para mim, caso eu tivesse acreditado nos primeiros médicos que me diziam estar tudo bem. A espera e a prevenção são incorrectas. A realidade devia ser estudada com maior preocupação e a reconstrução devia ser proposta de imediato. Não a quem faz radioterapia, porque aí a espera é de 5 anos obrigatórios, mas a todas as outras mulheres que aguardam e desesperam numa lista de espera ridícula”, avalia, revoltada.


Actualmente, Anabela encontra-se de perfeita saúde, tendo bimensalmente de ir as consultas de controlo. A sua vida está a salvo, todavia ficou a saber que não poderia ter mais filhos. O seu caso é hormonal e uma gravidez criaria fortes probabilidade de recidiva. “Prefiro ter só um com a mãe saudável do que dois sem mãe. Vivo o dia-a-dia feliz por ter conseguido pelo menos ter o meu Gonçalo”, exprime timidamente. Explicando melhor esta etapa, a jovem enfrenta agora uma possível menopausa precoce. O sistema hormonal de mulher madura e menstruada contém células muito activas e de multiplicação célere. No intuito de travar esse perigo, a solução tomada foi a “castração química” que consiste em injecções na barriga para secar os ovários. “Saberei como reagiu o meu organismo em Março. Obviamente, os contraceptivos ficaram fora de questão”, acrescenta.
Quando perguntamos a esta menina de 34 anos como via o futuro, respondeu da seguinte forma:
“Não me chateio com coisas insignificantes. Vejo a vida como sendo dois dias, ou como uma passagem que deve ser aproveitada. Viver bem com conforto, com amigos e alguma diversão. Os sonhos é o meu filho ter saúde, ter a mãe por muitos anos, ter pessoas amigas do lado dele e uma vida boa como eu tive e tenho (tirando este percalço)”, finaliza com um espírito de bon-vivant.

8 comentários:

Mestre disse...

Helena,
Parabéns pelo artigo e pela escolha da Anabela para esta semana.
A Vida é de facto tão frágil e curta que o melhor é ultrapassar os obstáculos e procurar ser Feliz em cada dia.

Abraço!

amitaf disse...

Muito bem, Anabela.

Que grande força,aqui traz a todas que estão a passar por um momento tão fragilizante,e que a Menina o tornou super forte,para que olhem ao seu exemplo de vida e de esperança.

Um beijinho tambem á Menina Helena por, mais uma vez nos dar testemunhos de FÉ.
Fátima

Helena Teixeira disse...

Olá!
De facto,gostei muito de falar com a Anabela e descrever aqui a experiência dela.Claro que passar por um momento desses,cada mulher tem reacções e formas diferentes de lidar com a doença ou tragédia.No entanto,a Anabela é um grande exemplo de guerreira,de nao desistir e viver a vida.
Obrigado pelos vossos elogios.Partilho-os com a Bela e todas as guerreiras beirãs :)
Para o mês de Dezembro,espero relatar a história de outra menina,com mais idade,mas que também soube lutar e bem :)

Jocas gordas
Lena

Manuela disse...

VAMOS TODOS AJUDAR ESTA CAUSA:
http://umsonhodenatal.blogs.sapo.pt/

Helena Teixeira disse...

Ok Manuela :)
Vou lá ver e apoiar!

Bom fim-de-semana
Jocas gordas
Lena

Pitanga Doce disse...

Que a Anabela tenha muita sorte e sempre esse otimismo diante das coisas menos boas da vida.

Helena, sinto falta da tua alegria lá na árvore e diz a Susana que ainda aguardo as fotos. Tenho curiosidade de vê-las já que foram tiradas com uma máquina tão profissional!

beijos da Mila

Helena Teixeira disse...

Olá!
Amiga Pitanga,ja andei no teu bloguinho :)
Amiga Fátima,deixou um comentário mais abaixo,sobre o Natal.Eu sou muito natalícia.Adoro o espírito de Natal e tento tê-lo sempre,porque adoro cores,iluminação,decorar a casa,dar-lhe cheiros e vida,etc...já comprei coisinhas para decorar...ai ai lá se vai o porta-moedas...lol

Jocas gordas a todas
Lena

Pitanga Doce disse...

AVISO À MENINA SUSANA; NÃO CHEGARAM AS FOTOS. DEVEM TER FICADO NO MEIO DO CAMINHO A ABRIGAREM-SE DA CHUVA. heheh